"keep your head above water, but don’t forget to breathe"

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O triste e lamentável episódio da manifestação de ódio contra nordestinos ocorrido recentemente na internet também tem, como tudo na vida, um lado bom.

Como se sabe, uma estudante de direito (!) resolveu destilar sua indignação com o resultado das eleições, conclamando, via Twitter, que se matassem nordestinos, responsáveis, segundo ela, pela eleição da nova presidente.

Não ficou sozinha na sua sanha assassina: seu texto foi reproduzido à larga na rede social, tendo sido identificados até agora mais de mil apoiadores da infeliz ideia.

O que demonstra um fato até então inquestionável: não só escreve-se o que se quer e posta-se o que bem aprouver no Twitter, Facebbok, Orkut etc., como as bobagens divulgadas podem ganhar o mundo, receber apoios, criar posturas, procedimentos, tornar-se verdades definitivas.

Para muitos, este é o grande perigo da internet frente aos meios tradicionais de comunicação, ou seja, a informação, qualquer informação, trafega sem nenhum “controle de qualidade”, digamos assim, podendo alcançar repercussão desproporcional à sua importância e pertinência. Tipo: qualquer porcaria que se escreve acaba tendo receptividade, muitas vezes causando danos (a alguém ou apenas à verdade) e fica por isso mesmo.

Não é bem assim, felizmente.

O episódio dessa pobre moça (que além de ignorante e aparentemente de má índole, é certamente burra) demonstrou para quem não sabe ou não acredita nisso que a internet e suas conexões são absolutamente orgânicas, movimentam-se e reagem de acordo com os estímulos que recebe, para o mal e para o bem.

Se por um lado o post da moça (Mayara Petruso é seu nome) foi replicado milhares de vezes, rapidamente formou-se uma corrente sanitária em torno do nordeste e de nossos irmãos oriundos daquela região. A ponto de dezenas de milhares de posts exaltando as coisas boas da região e de seus filhos estarem agora mesmo circulando na rede, bem como ter sido criado no Facebook a comunidade “Dia do Nordeste”, na qual as pessoas estão, neste fim de semana, se expressando contra a xenofobia e a ignorância e a favor do povo nordestino - como se precisasse…

Além disso, houve também a reação esperada e normal da sociedade, que foi a abertura de processos de investigação criminal contra a cidadã (estudante de direito, repito…) que perpetrou a barbaridade.

Este é o lado bom que destaquei no início do texto: ao contrário do que muitos apregoam, a internet e as redes sociais não são uma terra de ninguém em que os beócios e pusilânimes podem circular impunemente.

Não, há inteligência intrínseca no próprio mecanismo participativo que permite o surgimento dessas pessoas para execrá-las, intimidá-las, expulsá-las do convívio social que ali existe.
E a exposição que essa reação provoca acaba tendo, como teve, o efeito de estimular a movimentação de outros mecanismos da sociedade (entidades representativas como a OAB e autoridades como polícia e Ministério Público, que estão acionando a moça) para que coloquem em prática os instrumentos legais para coibir delitos desta natureza.

Ou seja, a internet, seja qual for o ambiente escolhido, é uma tribuna livre em que se diz o que se quer, sim. Mas com o risco de se ouvir o que não se quer, levar bordoadas, receber manifestações, ser processado etc. etc…

Menos mal.

Luíz Caversan

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Cheguei hoje à triste conclusão que sou o último exemplar da espécie “Homo sapiens” que não tem uma tatuagem para mostrar. Amigos, amigas, sobretudo amigas, todos eles ostentam iconografia diversa em diversas partes do corpo. Preferências pelo mundo animal, bélico e satânico.

Eu, pelo contrário, sou uma tela em branco, coberto apenas por penugem hominídea, a fatal celulite e algumas cicatrizes que trouxe do Vietnã. Como explicar essa epidemia de tatuagens que transforma o meu mundo num retorno à pré-história, com os meus amigos feitos pinturas rupestres e eu, um dinossauro em extinção?

Um nome possível é Norbert Elias (1897 - 1990), o grande historiador da França pré-revolucionária, que nas obras sobre a “sociedade da corte” disserta com talento inultrapassável sobre a forma como a nobreza sempre se procurou distinguir da populaça circundante.

Conta Elias, sobretudo em “O Processo Civilizacional”, que as elites procuravam essa distinção pela busca de novos e refinados símbolos (nos adereços, no vestuário, nos comportamentos). Só depois a plebe corria atrás, procurando imitar e, pela imitação, “nobilitando-se”. A ascensão social fazia-se por imitação social, ou seja, por imitação “superior”.

As tatuagens representam uma pequena revolução civilizacional. Pela primeira vez em toda a história social do Ocidente, a classe média procura distinguir-se por imitação “inferior”: se os nossos antepassados olhavam para cima, os nossos contemporâneos olham para baixo. Para as marcas tangíveis, carnais, inapagáveis de roqueiros ou marginais, como se essa descida fosse uma forma paradoxal de ascensão.

O problema desses movimentos miméticos é que eles acabam sempre por atingir estágios de estagnação, onde é necessário encontrar novas marcas distintivas - não é por acaso, escreve Elias, que Paris se foi refinando continuamente: uma vez imitada pela plebe, a nobreza partia em busca de novos códigos exclusivos que por sua vez acabariam por ser imitados, e abandonados, e trocados por outros. “Ad infinitum”.

Hoje, a imitação “inferior” bateu contra o mesmo tipo de parede - e a tatuagem, que era a exceção na paisagem, passou a ser regra. Difícil não é ter ou ver uma tatuagem. Difícil é não ter ou não ver.

O que significa que, mais cedo ou mais tarde, não será de excluir que os meus amigos comecem a aparecer com ossos no nariz, em imitação de uma qualquer tribo primitiva e, de preferência, assaz remota e assaz exclusiva.

Uma civilização que já olhou para cima e para baixo para se “nobilitar” socialmente, talvez encontre novos caminhos de distinção olhando para longe.

João Pereira Coutinho

Alicia Keys - Prisoner of Words

I’m a prisoner
Of words unsaid
Just lonely feelings
Locked away in my head
I trap myself further
Every time I stay quiet
I should start to speak
But I stop and stay silent
And now I’ve made
My own hard bed
Inside a prison of words unsaid

I am a P.O.W.
Not a prisoner of war
A prisoner of words
Like a soldier
I’m a fighter
Yet only a puppet
Mostly I only say
What you wanna hear
Could you take it if I came clear?
Or would you rather see me
Stoned on a drug of complacency and compromise
M.I.A.
I guess that’s what I am
Scraping this cold earth
For a piece of myself
For peace in myself

It’d be easier if you put me in jail
If you locked me away
I’d have someone to blame
But these bars of steel are of my making
They surround my mind
And have me shaking
My hands are cuffed behind my back
I’m a prisoner of the worst kind, in fact
A prisoner of compromise
A prisoner of compassion
A prisoner of kindness
A prisoner of expectation
A prisoner of my youth
Run too fast to be old
I’ve forgotten what I was told
Ain’t I a sight to behold?

A prisoner of age dying to be young
To my head is my hand with a gun
And it’s cold and it’s hard
Cause there’s nowhere to run
When you’ve caged yourself
By holding your tongue

I’m a prisoner
Of words unsaid
Just lonely feelings
Locked away in my head
It’s like solitary confinement
Every time I stay quiet
I should start to speak
But I stop and stay silent
And now I’ve made
My own hard bed
Inside a prison of words unsaid

"we are all in tears for a world that’s broken"

- the script

[Flash 9 is required to listen to audio.]

Hometown Glory - Adele

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I’m wondering what I gotta do to make my self heard over my own life. I don’t understand how it’s possible that I’m feeling my own future slip away from my own hands.

Is not it the kind of thing no one can take away from me? Or it is just this kind of thing and I just don’t know the only one who could take it away from me was, actually, myself?

"A felicidade morava tão vizinha; Que, de tolo; Até pensei que fosse minha!"

- Chico Buarque  (via matheusgomes)

(via whodoiwannabe)

Source: matheusgomes

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i don’t wanna fall another moment into your gravity

"A vida é crua. Faminta como um bico de corvos. E pode ser tão generosa e mítica: arroio,lágrima,olho-d’agua,bebida. A vida é líquida"

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I wanna take you to a place not very far from here, don’t have to travel far away to let down your hair. It’s the kind of place you show your face and no one cares what you do or what you say and what you wear. Its no secret you can find it if you look inside yourself and no one else will have to be a bumpy ride. We’ve been searching all our lives and now we know its there, it’s a magic place. Don’t matter how much you wanna leave you’re gonna come back and when you’re gonna back you’re gonna hear the soundtrack.